Você já leu com bastante atenção o salmo109????
Em alguns salmos é possível verificar um certa dose de ódio.
Antes de continuar vamos ler juntos o salmo.
“Ó Deus, a quem louvo, não fiques indiferente, pois homens ímpios e falsos dizem calúnias contra mim, e falam mentiras a meu respeito. Eles me cercaram com palavras carregadas de ódio; atacaram-me sem motivo. Em troca da minha amizade eles me acusam, mas eu permaneço em oração. Retribuem-me o bem com o mal, e a minha amizade com ódio. Designe-se um ímpio para ser seu oponente; à sua direita esteja um acusador. Seja declarado culpado no julgamento, e que até a sua oração seja considerada pecado. Seja a sua vida curta, e outro ocupe o seu lugar. Fiquem órfãos os seus filhos e viúva a sua esposa. Vivam os seus filhos vagando como mendigos, e saiam rebuscando o pão longe de suas casas em ruínas. Que um credor se aposse de todos os seus bens, e estranhos saqueiem o fruto do seu trabalho. Que ninguém o trate com bondade nem tenha misericórdia dos seus filhos órfãos. Sejam exterminados os seus descendentes e desapareçam os seus nomes na geração seguinte. Que o Senhor se lembre da iniquidade dos seus antepassados, e não se apague o pecado de sua mãe. Estejam os seus pecados sempre perante o Senhor, e na terra ninguém jamais se lembre da sua família. Pois ele jamais pensou em praticar um ato de bondade, mas perseguiu até à morte o pobre, o necessitado e o de coração partido. Ele gostava de amaldiçoar: venha sobre ele a maldição! Não tinha prazer em abençoar: afaste-se dele a bênção! Ele vestia a maldição como uma roupa: entre ela em seu corpo como água e em seus ossos como óleo. Envolva-o como um manto e aperte-o sempre como um cinto. Assim retribua o Senhor aos meus acusadores, aos que me caluniam. Mas tu, Soberano Senhor, intervém em meu favor, por causa do teu nome. Livra-me, pois é sublime o teu amor leal! Sou pobre e necessitado e, no íntimo, o meu coração está abatido. Vou definhando como a sombra vespertina; para longe sou lançado, como um gafanhoto. De tanto jejuar os meus joelhos fraquejam e o meu corpo definha de magreza. Sou objeto de zombaria para os meus acusadores; logo que me veem, meneiam a cabeça. Socorro, Senhor, meu Deus! Salva-me pelo teu amor leal! Que eles reconheçam que foi a tua mão, que foste tu, Senhor, que o fizeste. Eles podem amaldiçoar, tu, porém, me abençoas. Quando atacarem, serão humilhados, mas o teu servo se alegrará. Sejam os meus acusadores vestidos de desonra; que a vergonha os cubra como um manto. Em alta voz, darei muitas graças ao Senhor; no meio da assembleia eu o louvarei, pois ele se põe ao lado do pobre para salvá-lo daqueles que o condenam.”
É óbvio que Davi estava com raiva, mas o que devemos considerar é: Devemos nos render a todo esse ódio vingativo só porque “vem” da Bíblia??? Usar as mesmas frases para justificar nosso ódio como se fosse biblicamente aceito pr Deus???
Infelizmente usamos o ódio do próximo para justificar o nosso próprio ódio, embasar a mesma paixão vingativa.
É óbvio que hoje somos muitos mais sutis ao disfarçamos nossa má intenção em relação aos outros ou a nós mesmos.
Esse salmo mostra o sentimento humano a partir do momento em que está ferido, o seu âmago cruel. Na verdade mostra do que sou capaz de desejar quando permito que a raiva tome conta dos meus pensamentos.
É completamente raso ler um salmo como esse e não notar as maldições lançadas, é um ódio nascido da injustiça contra o outro.
Tire de um homem a sua liberdade ou os seus bens e é possível que você também tire dele sua inocência, ou talvez até a sua humanidade.
A relação do salmista a injúria sofrida é totalmente humana, e equivocada, pois o próprio antigo testamento tem passagens que rebatem todo esse sentimento:
“Não guarde ódio contra o seu irmão no coração [...] Não procurem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo” Levítico 19.17-18
“Não se alegre quando o seu inimigo cair, nem exulte o seu coração quando ele tropeçar” Provérbios 24.17
Ou as palavras do apóstolo Paulo: Se seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer.
Ocorre que são os grandes homens, os potenciais santos e não os homenzinhos comuns que se tornam fanáticos impiedosos.
O fato é que os Judeus pecaram mais no quesito maldição, não por estarem afastados de Deus, mas por estarem muito próximo.
Por conhecerem e também rejeitarem aquilo que é errado perante Deus, e não aceitarem acordos ou jeitinhos para que o errado se passe por meio certo.
A grande lição que tiramos daqui é que quanto mais perto de Deus, podemos adentrar em dois caminhos: um para a santidade, o amor, a humildade e o outro para o orgulho espiritual, a hipocrisia e o ZELO PERSEGUIDOR.
Observe para que o chamado divino te torne melhor e não pior do que os outros, na altivez da prepotência do vasto conhecimento.
Não passe a ser um julgador implacável, mas um amante fervoroso, que acredita nas pessoas, ensina com paciência sobre o amor e a misericórdia do Pai, e acima de tudo sobre a possibilidade de um novo caminho liberto do pecado, a fim de participar de uma justiça que tem mais inclinação e desejo na absolvição do que na condenação.
Raquel Casal

0 comentários:
Postar um comentário